#5. Não/No

[English version below&Ilustração da semana no fim do post]

Brasília, 11 de janeiro

Esta semana pedi pra mamãe olhar mais uma vez meu mapa astral. Urano junto com a Lua na casa 8, eis a minha hipótese. Tudo que existe em Escorpião dói.

Ela ligou nervosa hoje cedo, aquele suspirinho antes de começar. “Minha filha, melhor mesmo é você continuar buscando a iluminação”, e falou sobre perdas. Tá preocupada. Vai comprar mais um livro sobre Urano e planetas transpessoais.

Todo dia de manhã é uma ventania, pestanas que precisam de força pra abrir o acordar. Desisti de entender se sou eu ou se é o mundo que rasga pipas, emaranha fios, confunde propósitos, repete obviedades, perde a direção. Nego em dupla afirmativa todas as mil criaturas que eu deveria me tornar se seguisse pela recomendável ordem-correta-das-coisas. Nasci com os planetas alinhados na mania de uma rebeldia teimosa. Eu e meu avião nas turbulências todas, quem sabe a gente chega inteiro do outro lado? Ligo incenso, acendo as velas, recito mantra, saio voando contra todas as previsões metereológicas. O temporal lá fora parece que ainda demora. Chove Nãos.

* * *

Brasília, February 11th

This week I asked mom if she could have a look at my birth chart. Uranus and Moon together at the 8th house, I hypothesized. All that touches Scorpio hurts.

She called me early today, her voice a little nervous and a sigh before speaking. “Better you keep seeking for enlightenment, my child”, and then started telling me all about loss. She’s a bit concerned, I sensed, as she confessed me she had already ordered a couple of books on Uranus and trans-personal planets.

There is a wind that blows from the window of my bedroom every morning for my eyes ask for strength to open the waking up in the morning. I’m not sure whether it’s me or the world who’s ripping off the kites, tightening knots, confusing plans, repeating the obvious, losing  direction. In elegant phrases, I deny by the hour all that others tell me I should have become in case I followed the adequate order of things.  None to blame – apparently, it is the fate that gave me a planetary alignment that causes this addiction to being a stubborn little rebel.

My airplane across the turbulence, who knows?, I can just hope we will land safely on the other side. Candles lit, mantras who dance from my throat, us flying against all the weather forecasts. Outside the window, the storm doesn’t seem to fade. It’s still pouring Nos.

#5.Não
#5. Não (aquarela e nanquim; 2016)

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