#6. Para minha avó/To my grandma

[English version below&Ilustração da semana no final do post]

Curitiba, 21 de fevereiro

A casa ficou em silêncio. O calor fez morrer o vento, o pulso do ar, e eu respirei fundo. Nós duas no quarto, do mesmo jeito que a gente fazia há trinta e poucos anos. O barulhinho de respiração de uma pessoa só.

Dentro de mim tem minha mãe, dentro dela, você, e dentro de você a família inteira. A vida continua, a menina que eu fui agora vai se enterrando junto com as testemunhas que já não são mais. Aquele porta-retrato com minha foto aos dois anos, que você deixava na cômoda da sala, eu coloquei na mochila sem ninguém ver quando saí da sua casa pela última vez.

Você não virou estrela no céu, vó, porque viveu pra ser constelação.

* * *

Curitiba, February 21st

And then silence has descended upon the house. The heat has turned the wind dead, gone is the pulse of air           – and I myself take a deep breath.  You and me alone in the bedroom just like we used to do over thirty years ago. The low whispering of only one of us breathing.

Inside of me there is mom, inside her there is you, and inside you there’s all of us. Life goes on, the child I used to be is now being buried along with the witnesses that no longer are. Before leaving your apartment for the last time I stole that picture of the 2 year-old me you used to keep by the kitchen table.

You’re not becoming a star in the sky tonight, grandma, for you lived to be constellation.

#6.Yogini
#6. Yogini (aquarela e nanquim, 2016)
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